quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Insustentável leveza das sacolinhas

Foi dada a largada. A partir desta 4ª, 4/4, está valendo o acordo que estabelece o fim da distribuição das sacolinhas plásticas nos supermercados de São Paulo. Isto é, está decretado o fim das SACOLINHAS GRATUITAS porque se o consumidor pagar por OUTRAS SACOLINAHS PLÁSTICAS -- biodegradáveis ou não -- as terá no porta-malas do carro, ou a lhes amarfanhar os antebraços no busão...

A história começa no dia 25 de janeiro, com a medida sendo suspensa após o ´bem bolado´ realizado entre o Procon de SP, o Ministério Público e a Apas-Associação Paulista de Supermercados, quando foi assinado um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta-TAC. (Não custa lembrar que o pau comeu solto por pressão da sociedade que se viu órfã na discussão.) As autoridades postergaram a distribuição gratuita por algumas semanas e... agora cada um que vá cuidar sa sua horta.

O argumento preferido nesse imbróglio que se formou é o de uma suposta defesa do meio ambiente, alegam os senhores da Lei e os representantes dos Supermercados, off course. Para esses senhores, a ideia embutida e não revelada, pode estar no fato de que ao penalizar o consumidor este criaria juízo, deixaria de ser mal educado e mal sustentável e passaria a descartar menos plástico no ventre da mão natureza. Um argumento tão flácido e leve, que desaparece ao sabor de um vento mais forte lançado durante um debate sério.

Quem produz lixo (todos nós !!!) vai continuar descartando o mesmo. A diferença é que ao invés de sacolinhas plásticas gratuitas, os caminhões de coletas passarão a ter, a partir desta QUARTA, QUATRO DO QUATRO, sacolinhas plásticas pagas para recolher. Deu no mesmo ou não ?

O CLICK NEGÓCIOS, programa que apresento e que desde a sua concepção traz a questão da sustentabilidade, ouviu gente importante nesse jogo de palavras, ideias e argumentos. Eu confesso que não sai convencido de benefício nenhum a mais, além daquele que o supermercadista vai levar.

Percebam que foram chamados vários atores para esta discussão, à exceção de um: o consumidor. Uma discussão que já começa de uma forma uinilateral, sem ter um de seus principais envolvidos no debate, certamente não é uma discussão sustentável !

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Nelson TucciJornalista profissional diplomado, pós-graduado em Comunicação e Relações com Investidores, é Apresentador do CLICK NEGÓCIOS da TvABCD.

5 comentários:

  1. Pois é, foi uma decisão vertical que de nada vai adiantar se não houver campanha educativa com a população sobre a questão do lixo. Ainda tem muita gente que não tem ideia do que é separar o lixo, reaproveitar e muito menos reciclar,e por isso é importante abrir a discussão. Não tenho um conceito formado, mas gosto da ideia de incentivar as pessoas a usarem sacolas próprias, reutilizáveis, pelo menos reduz-se o volume de plástico no lixo.

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  2. Concordo num ponto com a sua posição, Nelson, o consumidor deveria sim ter sido ouvido e, numa ampla e demorada discussão. Quem sabe, com isso que não houve, haveria maior sensibilização de todos para o grave problema do excesso de consumo, do embelezamento artificial de certos produtos com o plástico que vai rechear os aterros sanitários. Me amedronta muito ver todos os cantos por onde rodo e ando muito em locais que deveriam estar virgens de lixo e sempre encontro uma bituca de cigarro, um copinho de iogurte, uma garrafa plástica. Vai chegar um dia que vamos ter que pôr fogo no mundo, para queimar toda essa desgraceira.

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  3. Penso que a sacolinha de plástico não é o grande vilão nessa história toda, mas o próprio ser humano. As sacolinhas não poluem sozinhas, mas é o descarte indiscriminado e a falta de consciência da população que provoca o maior impacto na natureza.
    O lixo não se descarta, ele deve ser reaproveitado.
    Não adianta investir em coleta seletiva ou simplesmente proibir o uso das sacolinhas. A sociedade tem que entender que é o descarte inadequado que polui e para acabar com o problema, basta reciclá-la.
    Isso contribuiria para um mundo sustentável, geraria ganhos para a economia, geraria mais empregos, mais impostos, mas vida.

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  4. Obrigado a todos pelos comentários. Acho que esta questão não termina neste tópico, ao conmtrário, começa aqui. Existe um OUTRO FATOR de relevante agravo que não destaquei no texto original pra ir dosando os pontos que mereçam ser discutidos: QUEM FABRICA as NOVAS SACOLINHAS de R$ 0,59 (que, aliás, eram de no máximo R$ 0,29)? As tais RETORNÁVEIS são feitas na CHINA. Ou seja, além de tudo estaremos exportando empregos...

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  5. Legal!
    E as embalagens plásticas dos milhares de itens que os supermercados vendem. também vão ser substituídas?
    Sobre esta questão das sacolinhas, sigam o dinheiro.

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